Anedotas de passagem

Postado em: 9th dezembro 2014 por Vanessa Barbara em Caderno 2, Crônicas, O Estado de São Paulo
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O Estado de São Paulo – Caderno 2
8 de dezembro de 2014

por Vanessa Barbara

Outro dia ouvi uma história bizarra do motorista do 118C que eu não sei se é verdadeira, mas achei que devia compartilhar com os senhores:
Tinha um rapaz sentado no banco preferencial, aí uma galera que estava ao redor começou a criticá-lo porque havia uma idosa de pé. Alguém chamou o cara de folgado. Aí o sujeito desatarraxou a prótese da perna, levantou do assento e bradou: “Agora a senhora por favor segura a minha perna”.

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Diálogo aleatório
Motorista: “Se eu tivesse dinheiro, eu compraria um guincho”.
Cobrador: “Sabe o que a gente devia fazer? Comprar uns duzentos bondinhos. Andar a 10 quilômetros por hora seria muito legal”.
(O espírito empreendedor desses dois mandaquienses passou de guincho a pizzaria e a loja de lençóis em apenas dez minutos.)

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Passageira: “Este ônibus passa na Inajar de Souza?”
Cobrador (com ares filosóficos): “Olha, pode passar, pode não passar… A gente nunca sabe o futuro, não é?”

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Em Fernando de Noronha, a passagem de ônibus custa 3 reais – como em São Paulo. Há somente uma linha com a gigantesca frota de dois micro-ônibus que vão e vêm do Porto até a praia do Sueste, num total de 7 quilômetros percorridos. Ao contrário do que se imagina, esse preço vale para todos – não há bilhete com desconto para os moradores da ilha.

Como, ainda por cima, o coletivo só passa de meia em meia hora, os nativos às vezes optam por pegar carona com os amigos ou nas caminhonetes de transporte gratuito de dois restaurantes localizados na Vila do Boldró.

Na eventualidade de uma carona, todo mundo que está no ponto é convidado a subir na boleia, instaurando-se uma oportunidade valiosa de socialização. Foi na traseira de uma dessas caminhonetes que um noronhense de 64 anos me contou que os hospitais da ilha não fazem partos – todas as mulheres grávidas têm que ir para o Recife ao completar seis ou oito meses de gestação. Outro rapaz me confidenciou o boato da vez: de que o cachê pago aos integrantes da Banda Calypso por um show na ilha, no réveillon de 2013, teria saído da verba destinada a uma escola local.

Apesar de haver apenas duas vans, os motoristas nunca eram os mesmos. Em Sueste, encontrei um sujeito que estava aprendendo a lidar com as marchas do veículo, tomando lições de um amigo com o ar de quem havia se voluntariado para a tarefa.

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Comentário de uma passageira: “Se o Marcos comer meu miojo de tomate, eu mato ele”.

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(Colaboração do leitor Bruno Scomparin)
Frase ouvida de uma jovem, em um ônibus de Fortaleza: “Como assim, você não sabe o que é anacoluto?!”.